Assembleia sedia o 1º Congresso Antifeminista de Santa Catarina
O evento foi acompanhado por participantes de todo o estado
A Assembleia Legislativa foi palco na noite da última sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, do 1º Congresso Antifeminista de
Santa Catarina, organizado pela deputada Ana Campagnolo (PL). O evento lotou as
dependências do Auditório Antonieta de Barros e foi acompanhado por
participantes de todo o estado.
Conforme a deputada, o objetivo do congresso foi dar um tom
otimista e de comemoração à data. "Porque todo Dia da Mulher é uma
oportunidade para vitimismo e choradeira na imprensa, na TV. Não mostram um dia
feliz, nunca se fala de forma positiva sobre a data", criticou.
A parlamentar destacou os privilégios de ser mulher, como o
que considera o maior de todos: o de ser mãe. "Esse congresso mostra
também que há mulheres que não são feministas", disse Ana. "Queremos
que esse dia seja lembrado como um dia feliz, um dia em que se comemore a
condição de ser mulher, sem poréns. Poréns existem, as dificuldades existem,
não só para a mulher, mas para o homem também."
A pedagoga e especialista em Ciências Humanas Cris Corrêa
abriu as palestras e tratou do tema "Não existe feminista cristã".
Para ela, feminismo e cristianismo são incompatíveis, já que o movimento
feminista ataca o cristianismo e tenta destruir e transformar os valores e
símbolos religiosos. "Toda feminista convicta do seu feminismo é, por
essência, anticristã."
"O feminismo é um movimento político e ideológico, que
está focado em desenvolver uma teologia", completou Cris. "Ele faz um
resgate das divindades femininas, faz releitura dos símbolos cristãos. A
teologia feminista busca transgredir as barreiras do cristianismo para criar um
novo sistema de regras e moral para nortear a sociedade."
Já a palestra de Pietra Bertolazzi abordou o tema
"Respeito e autenticidade feminina, a beleza da modéstia". Ela
atribiu à revolução sexual feminina o crescimento nos casos de doenças mentais
em mulheres. Para ela, a invenção da pílula anticoncepcional causou a
dissociação do sexo da procriação e o transformou em algo para o prazer, o que
levou à questão do aborto.
"Com o sexo sem a finalidade de procriação,
naturalmente o bebê se torna um problema", afirmou. "Essa perversão
do instinto materno, já que ser mãe é algo natural, gera uma dilaceração moral,
fazendo com que a mulher vire feminista, se torne uma pessoa mentalmente fraca,
o que acarreta depressão, doenças mentais."
Ela também fez inúmeras críticas à preocupação das mulheres
com a moda e com a estética. "A moda é um instrumento do feminismo. Ela
pinça atrizes para colocar roupas totalmente imorais, e a gente que é trouxa
vai atrás", disse. "A moda em si é um instrumento do pecado."
Pietra tratou da "doença espiritual da luxúria", o
que chamou de relativização do pecado mortal do adultério. "Sexo fora do
casamento é tão grave quanto matar. Não sou eu que estou falando, é Deus, está
na Bíblia."
A pedagoga e doutora em Educação, Patthy Silva, encerrou as
palestras do evento, com o tema "As primeiras empoderadas do Brasil".
Com base em seus estudos, ela refutou alguns argumentos do movimento feminista,
como aquele que atribiu ao femininismo à entrada da mulher no mercado de
trabalho.
"As primeiras mulheres nos EUA a terem profissão foram
as freiras católicas, em 1900", comentou. "Quando as feministas
estavam reclamando por isso nos anos 60, as freiras já tinham feito carreiras
em hospitais. Isso também desmente o argumento que o cristianismo poda os
avanços das mulheres."
No Brasil, conforme Patthy, ocorreu o mesmo, com as freiras
exercendo funções na educação, na saúde e assistência social, já no fim do
século XIX. As mulheres pobres também já tinham acesso ao trabalho. "Essa
exclusão do trabalho atingia determinado grupo, não todas. As mulheres pobres
precisavam trabalhar, era uma necessidade, não um privilégio. A visão feminista
parte de uma realidade de classe média."
O 1º Congresso Antifeminista de Santa Catarina contou com a presença de vereadoras dos municípios de Meleiro, Itapoá, Benedito Novo, São Miguel do Oeste, Florianópolis e Bombinhas, além da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC). Antifeministas e parlamentares, como a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), também participaram, por meio de mensagens de vídeo.




ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE